Em entrevista de rádio nesta sexta-feira, 24, o pré-candidato ao Senado André Moura (União Brasil) posicionou-se sobre um dos temas mais sensíveis em discussão no País: a revisão da escala de trabalho 6×1. O ex-deputado federal declarou-se favorável à adoção da escala 5×2, mas alertou que a mudança exige responsabilidade legislativa para não asfixiar os pequenos e médios empreendedores, que detêm a maior fatia da geração de empregos em Sergipe e no Brasil.
Para André Moura, a redução da jornada é uma questão de dignidade humana. “Sou um defensor da redução da jornada de trabalho e da escala 5×2. É necessário garantir que quem trabalha duro tenha direito a viver com dignidade, com mais tempo para a família, para descansar e cuidar da saúde. Eu sou defensor do trabalhador, não só daquele de carteira assinada, mas também daquele que assina a carteira”, afirmou.
O diferencial da análise do pré-candidato reside justamente na inclusão do pequeno comerciante no conceito de classe trabalhadora. Segundo ele, o proprietário da padaria, do salão de beleza ou do pequeno supermercado no interior de Sergipe muitas vezes trabalha sete dias por semana e possui margens de lucro extremamente apertadas. “Eu ando de ponta a ponta e o que vejo são comércios abertos com a família do proprietário trabalhando ao lado de poucos funcionários”, disse.
De acordo com André Moura, “esse dono de estabelecimento também é um trabalhador e, muitas vezes, ele só consegue descansar no domingo à tarde. Defender a escala 5×2 é justo, mas temos que ter um olhar diferenciado para quem assina a carteira. Se a mudança gerar apenas despesas sem contrapartida, corremos o risco de fechar vagas, de aumentar o desemprego e de prejudicar a economia”.
Como solução para viabilizar a transição de jornada, o líder político propõe que o poder público atue como facilitador financeiro. A ideia central é que o governo utilize bancos públicos para oferecer linhas de crédito com juros reduzidos, permitindo que o micro e pequeno empresário invista em seu negócio e aumente a arrecadação. “Como conduzir um processo que não gere mais despesas para quem já está no limite? Precisamos de alternativas. Com taxas de juros menores e financiamento, o empreendedor pode investir, crescer e, assim, suprir a contratação de novas pessoas para ocupar o espaço deixado pela redução da escala”, explicou André Moura.
Ele defende ainda que o debate no Congresso Nacional e nos governos deve ser pautado pelo equilíbrio e pela escuta de especialistas, fugindo da polarização simplista. O objetivo, segundo André Moura, é construir uma legislação que proteja o trabalhador de carteira assinada sem desamparar o pequeno empresário. “Sou defensor de todos os trabalhadores: tanto daquele que tem a carteira assinada, quanto daquele que assina a carteira. O futuro do país depende de acharmos esse ponto de equilíbrio onde a dignidade do descanso encontre a sobrevivência da economia real, a manutenção dos pequenos e médios negócios”, concluiu.